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A Raça Guzerá
O animal doméstico serve ao homem mas, frequentemente, é também seu companheiro.
São ligados por interesse, mas também, por afeto.
Por milênios, homens e animais convivem numa interação permanente na busca do aprimoramento de qualidades úteis concretas, assim como de valores abstratos, intangíveis.
O cavalo árabe, soberbo e funcional, forjado nas areias escaldantes do deserto, um desenho quase divino, dotado de resistência, agilidade e confiabilidade, serve de exemplo de sucesso desse trabalho ancestral.
O Kankrej, com sua silhueta milenar recortada no horizonte, o mais belo dos bovinos, também é obra da mesma forja.
Os chifres lirados, perpendiculares ao chão, o pescoço cangado à moda das najas, o corpo profundo, os cascos pequenos e duros, o andar de passo e um quarto, onde as patas traseiras sempre pisam um pouco à frente das marcas deixadas pelas dianteiras, materializam um movimento perfeito de um corpo perfeito. Cinco milênios de borda de deserto temperam esta raça de cor lâmina de aço, dando origem a um dos mais rústicos herbívoros da terra.
Formado no noroeste da Índia, nas planícies vizinhas ao Rann do Kutch, os Kankrej espalharam-se por uma vasta área.
O célebre selo de Mohenjo-Daro, ruína à margem do rio Indus, comprova que, há cinco mil anos, este gado já existia com características semelhantes às de hoje, quando mais de dois milhões de exemplares vagueiam ou convivem na planície ou nos gaushalas do Hindostão.
Neste rebanho não há somente exemplares típicos. O paulatino aumento da população, a necessidade de novos espaços, geraram o nomadismo do gado e causaram mestiçagem com outros grupos raciais vizinhos.
Apesar de tudo, existe ainda hoje uma monumental população de exemplares bem caracterizados, normalmente dotados de qualidades milenares: rusticidade para sobreviver e reproduzir-se, capacidade leiteira para alimentar o universo de gente da região carente de proteína animal e mansidão, característica do animal de tração.
A seleção natural e o homem não permitiriam que os mais débeis sobrevivessem, nem que os de leite parco gerassem reprodutores, sina que guardava, também, os de índole desleal.
Até que um dia, há mais de cem anos, alguns brasileiros destemidos e visionários chegaram neste caldeirão – gostaram do que viram e levaram para sua terra o que puderam comprar e carregar.
Veio joio e veio trigo.
Tateando no escuro, multiplicaram o rebanho no Brasil. Caldearam as raças ibéricas já existentes, azebuaram o gado nativo.
Buscaram, por instinto, um padrão.
Nesta voragem, quase se perdeu o precioso sangue milenarmente puro.
Algumas raças o homem faz. Outras mostram como é seu biótipo, pela prepotência de gens antiqüíssimos – como o Kankrej.
Quando o intercâmbio e a facilitação do conhecimento e do transporte permitiram a elaboração de um padrão zootécnico, foi possível constatar que um milagre havia sido consumado: o Guzerá, novo nome do Kankrej brasileiro, era bastante semelhante ao do país de origem.
Na década de 60, outros pioneiros reabasteceram o estoque genético, buscando, no berço indiano, reprodutores novos.
Nelore e Gir tiveram nova e pujante injeção de sangue. O Guzerá teve menos sorte: veio contrapeso, em pequeno número e sem escolha mais cuidadosa.
Mas o resultado foi notável. Ao lado do progresso nas pastagens, no manejo, no melhoramento animal, o rebanho cresceu e se tornou mais produtivo.
Com o advento das provas zootécnicas, qualidades intuídas se transformaram em desempenhos aferidos.
Hoje, há vacas produzindo mais de 35kg de leite por dia, gerando bezerros que pesam mais de 500kg aos 12 meses e filhas que procriam antes de 2 anos de idade.
Quando acasalados com animais taurinos, originaram algumas das mais apreciadas raças sintéticas.
Espalhados pelo País, souberam prosperar no sul temperado, nas savanas centrais, no semi-árido nordestino e no Brasil amazônico.
Tecnologias novas de reprodução ajudaram a transpor o gargalo representado pelo número reduzido de exemplares e permitiram pressão seletiva adequada.
Passadas seis décadas de registro genealógico, quatro décadas de provas zootécnicas, muito ainda há que progredir.
Tudo faz crer que o Brasil será a maior potência pecuária do mundo. Que as demandas por segurança alimentar serão atendidas e que parte ponderável do mundo se alimentará de proteínas aqui produzidas.
O criador brasileiro, que soube manter este tesouro milenar intocado na sua beleza e aprimorado na função produtiva, merece ter orgulho do que fez e certeza do que ainda fará. O Guzerá terá lugar assegurado nesta pecuária vencedora e será um dos seus pilares pela excelência dos atributos que possui.
 
Antônio Ernesto de Salvo
 


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